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Surpreendido por um reflexo
Em 12 de fevereiro de 2010

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Algo que sempre li na Bíblia e que sempre defendi é que todas as pessoas que se encontraram pessoalmente com Cristo foram tão impactadas que nunca mais foram as mesmas. Mesmo que Cristo não esteja mais presente em carne e osso, ainda há a possibilidade de um encontro com ele através do Espírito Santo, da oração e da Palavra de Deus.

Mas até hoje a noite eu ainda não havia compreendido que podemos ter um encontro com Cristo através dos seus "reflexos" neste mundo - tais reflexos são justamente os cristãos, que O seguem, que devem copiar suas atitudes e viver como ele viveu. A questão é que poucos cristãos refletem Cristo realmente. E então imagens distorcidas e inúteis são passadas para outras pessoas.

Hoje conheci um cara que de fato reflete Cristo. Não que não tenha seus defeitos (e certamente deve tê-los), mas refletia Cristo no seu amor, na sua mansidão, na sua bondade, no falar do Reino de Deus. Ele passou algumas horas compartilhando comigo e com mais algumas pessoas sobre histórias que ele vivenciou e como percebe Cristo no seu dia a dia.

Ele não pregou sobre pecado e nem nos ensinou a ser mais santos. Não fez nenhum apelo, não falou de como podemos crescer e servir melhor. Nenhum clamor por "unção" ou "santidade", nenhum berro de desespero por milagres. Apenas compartilhou sua vida, com humildade incrível e sabedoria incomparável. Apenas compartilhou, com a simplicidade que o próprio Jesus demonstrava. E ao ouvir suas histórias, eu mesmo percebi que nunca havia me encontrado com Cristo de tal maneira como aconteceu ali - diante de alguém que realmente reflete o Salvador.

Não tive experiências sobrenaturais, não ouvi vozes. Só conheci um cristão que vive de fato o cristianismo. E um misto de alegria, arrependimento, saudades da eternidade, disposição para seguir a Jesus e percepção de quão miserável sou foram as sensações - em resumo, um desejo de ser de fato alguém que vê Cristo no seu dia a dia, convive com Ele e deixá-lo transparecer em mim. Eu já era convertido antes, e sempre vivi da melhor maneira que pude conforme a vontade de Deus. Mas hoje vi o que é ser Cristão de fato e refletir a Jesus,

E posso dizer que não é apenas na palavra ou pelo Espírito que as pessoas podem se encontrar com Cristo, mas através de pessoas que O refletem; que de alguma forma deixam Cristo aparecer tanto em suas vidas que não precisam falar uma palavra sobre religião - podem falar de plantação de abobrinhas que já demonstram o Criador.

Hoje eu vi Cristo sendo refletido, e após 20 anos de conversão descobri a essência do evangelho. Sinceramente, espero que você algum dia possa encontrar alguém assim - compreenda bem, não há mérito para nenhuma pessoa (tanto é que não cito nomes); méritos apenas ao que faz a obra. E sinceramente, espero algum dia poder refletir Jesus de fato, para que em mim as pessoas possam ver um reflexo nítido daquele que as criou, as amou e salvou - e assim se convertam, mesmo já sendo crentes.

Barulho na foto (4)
Em 19 de outubro de 2009

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Mimetismo é a capacidade que alguns animais têm de se camuflarem de maneira tão perfeita em meio ao lugar onde estão que tornam-se praticamente invisíveis. Existem insetos, répteis e até mamíferos com essa habilidade. Animais com mimetismo se camuflam, geralmente, para se protegerem de perigos e predadores.

Alguns "cristãos" também usam essa técnica. Acham arricado demais serem cristãos, por isso se "camuflam" na frente da galera do colégio, da família e até no meio de amigos chegados. Acham um mico vergonhoso, desmoralizante e babaca praticarem o "seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus" (Filipenses 2.5). Apenas se lembram disso no meio do pessoal da igreja - aí sim, são uns santos! Conseguem até fazer história de sua vida de fé hipócrita, contando no que "progrediram". Na verdade, continuam praticando seu mimetismo. Até pra orar! Oram como se  Cristo só visse a casca fingida que os fazem parecer cristãos que realmente amam a Deus.

Pessoas assim realmente me surpreendem - tanto pela sua capacidade de camuflagem quanto pela insistência em não admitir que são completamente incompetentes para assumir qualquer tipo de compromisso - quer seja com os amigos, quer seja com a família, quer seja com a igreja, quer seja com Deus. Não têm identidade, não pertencem a nenhum lado do muro. Só se camuflam.

Sinto muito, camaleões não vão para o céu.

Vergonha
Em 8 de outubro de 2009

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Não quero parecer radical ou arrogante, mas quero expressar aqui um desabafo da minha plena indignação uma crítica ao povo gósper.

Acredito que os cristãos devam falar da salvação de três modos: pelo testemunho individual (tipo falar de Jesus pra alguém que está junto numa fila), o testemunho coletivo (em abos os sentidos: coletivo por que não se faz sozinho e por que são várias pessoas que recebem a mensagem numa vez só, como fazer um teatro numa praça) e o testemunho prático (nas atitudes do dia a dia na convivência com colegas de escola e trabalho, sem necessariamente usar palavras). Aqui, pra não abusar de sua paciência, vou falar só dos dois primeiros.

Até aí tudo bem. A questão é que eu vejo um "testemunho contrário" o fato de fazer isso mal feito ou ser um cara chato. Pô, Jesus não era um cara crica - poderia ser irritante por causa que lidava profundamente com as convicções das pessoas (e isso incomodava), mas não ficava apurrinhando ninguém. E Deus também não é um cara que faz as coisas "nas coxas" - o que Ele faz é, definitivamente, bem feito. Vou contar umas histórias, e aí creio que você entenderá.

Ontem vi um cara no ônibus. Uns 30 e poucos anos, bem vestido, ouvindo música no celular (com fone), nada de anormal. De repente o cara tira o fone e deixa a música tocar pelo próprio falante do celular - e começa a cantar junto, desafinado pacas, com um bafo de sepultura (eu estava a mais ou menos um metro dele, e ainda assim pude perceber). A música? Alguma coisa falando de poder, promessa e prosperidade. Ele pode ter feito isso para que as pessoas do ônibus pudessem ouvir "uma mensagem de salvação" através dele e do seu celular. Mas caramba! Que coisa horrível! Além
da música em si não falar nada a respeito da necessidade de alguém se converter, o cara ainda canta junto e com bafo. Sim, foram 5 minutos onde eu e mais 30 pessoas dentro do ônibus pensaram apenas "fecha essa boca", e não "realmente, eu preciso de Deus". E se eu não conhecesse a Cristo, estaria pensando mal do povo evangélico e prometendo a mim mesmo nunca me envolver com esse tipo de gente. Algumas pessoas sabem que o estilo de vida cristão não é exatamente o mesmo da cena do homem no ônibus. Mas e aqueles que não sabem e só têm o cara chato do ônibus como modelo?

Outra situação: a galera quer fazer evangelismo em praça pública. Pra isso leva a bandinha da igreja - que não passa de dois violões dessoantes, um chocalho e um cantor que se sente "o poder de Deus em pessoa" - mesmo que seja absurdamente desafinado. Isso é realmente falta de semancol. Acredito que um descrente que passe por ali e ouça o ruído vá pensar "vou acelerar o passo pra logo estar longe", e não "puxa, realmente Deus me ama". Também tem o evangelismo de lombada, onde um grupo de gente gósper aproveita que os carros diminuem a velocidade pra pará-los, definitivamente, e entregar um convitinho do culto da noite. Veja bem: o cara tá com pressa e indignado com a existência de lombadas - e como se não bastasse, uma patota de gente faz ele parar exatamente nesse instante pra entregar um "convitinho da noite da bênçá". Stress suficiente pra gerar uma antipatia ao evangelho.

Um dos meus professores usou um exemplo interessante numa aula. Ele tinha uma mochila e uma bíblia em cima de sua mesa. Ele pegou a bíblia, mostrou para nós e disse:
- Este é o evangelho, esta é a palavra. Completamente imutável. Toda pregação cristã deve estar plenamente de acordo com isso - se algo é diferente do que a Bíblia diz ou é incondizente com sua mensagem, então definitivamente não vem de Deus.
Então pegou a bolsa com a outra mão e ergueu-a para que pudessemos vê-la. Lentamente colocou a Bíblia dentro da mochila, enquanto ia dizendo:
- Este é o método pelo qual o evangelho chega as pessoas. É uma mochila, mas poderia ser uma mala, uma sacola de supermercado ou uma bolsa. É simplesmente o meio pelo qual a mensagem é levada. Pode e deve mudar de acordo com o público que se deseja atingir. A mensagem - que esta dentro da mochila - não muda, permanece completamente íntegra. O que atrai o ouvinte é a mochila, em primeiro lugar. E aí, quando uma pessoa se sente atraída pela mochila, vai ver o que tem dentro dela - e então descobre o puro e verdadeiro evangelho da salvação.

Freqüentemente vejo crentes usando uma mochila extremamente repulsiva pra carregar uma mensagem extremamente preciosa. É um testemunho contrário: afasta as pessoas em vez de trazê-las para perto. É vergonhoso.

Sinceramente, um cara que simplesmente entrega um panfleto evangelistico para os passageiros do ônibus faz um testemunho individual muito melhor do que alguém que dá o play num hit gospel feito só para ganhar dinheiro para falar de Jesus. E uma igreja que faz algo simples - mas bem feito - em praça pública, sem encher as paciências de nenhum pedestre ou motorista, certamente faz com que as pessoas se sintam bem ao passar perto - e por isso desejem mais do que está sendo falado.

Não nego que o Espírito Santo, por misericóridia, use alguns desses crentes irritantes e chatos pra fazer diferença na vida de alguma pessoa. Mas crente de verdade deveria fazer algo bem feito - não pra se mostrar, mas por que faz pra honra e glória de Deus.

Pra teminar, deixo uma frase de João Alexandre: "um crente que limpa bem os bancos da igreja glorifica mais a Deus do que um que toca mal um violão na hora do louvor".

Gringos
Em 23 de setembro de 2009

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Ontem a noite, voltando da aula, presenciei uma cena vergonhosa. Três estrangeiros estavam na mesma estação de ônibus que eu, provavelmente indo para o aeroporto. Acredito que eram ingleses, julgando o sotaque e o jeito de se vestir.

Pois bem. Lá pelas tantas, apareceu um bando de bocós maloqueiros pedindo grana pra cachaça . Como os estrangeiros ficaram um tanto assustados com a maneira dos malacos abordarem - e também por não compreenderem exatamente o que estavam falando -, reagiram como se não tivessem ouvido nada. Foi o que bastou para os quatro maloqueiros perceberem que eram estrangeiros. Começaram então uma verborréia xingatória pra cima dos gringos. Inclusive, inúmeros palavrões em inglês.
 
Os malacos foram embora xingando. Sobraram os três ingleses na estação, junto comigo e com o cobrador. A mulher que fazia parte do trio gringo comentou com os outros dois: "This is Brazilian...". Eu e o cobrador permanecemos com cara de tacho, sentindo-nos completamente parte da podridão social do Brasil - como se todos os brasileiros fossem um bando de malacos xingantes. Não nego o julgamento dos gringos, afinal foi essa a imagem transmitida por aqueles que os abordaram pedindo moedinhas pra pinga. Por mais que houvesse pedidos de desculpa depois, a imagem já havia sido denegrida.
 
Isso me faz pensar quantas vezes os cristãos, que nada mais são do que estrangeiros no mundo (1 Pedro 2.11), se comportam de modo a denegrir a imagem de sua pátria. Cristãos que dizem ser crentes, mas são incapazes de transmitir a alegria e amor que Cristo ensinou. Crentes assim não são crentes - apenas são um bando de gentinha querendo imitar algum tipo de moda gospel. Crentes deveriam ser bem mais patriotas, e deveriam demonstrar o lugar a que pertencem no semblante de seus rostos, na moderação de suas palavras e no amor de suas atitudes.